O tabuleiro da esquerda em Mato Grosso sofreu um movimento de exclusão que deve ecoar até as convenções de 2026. O Partido dos Trabalhadores (PT) foi categórico ao rejeitar o nome da médica Natascha Slhessarenko como possível candidata ao Governo do Estado pela Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB). A decisão, que parece ter sido cozinhada em fogo alto nos bastidores da legenda, isola a médica — filha da ex-senadora Serys Slhessarenko — e reafirma a hegemonia petista sobre os rumos da coalizão de esquerda no estado.
O recado vindo da cúpula do PT é cortante: a legenda não está disposta a “terceirizar” o protagonismo para nomes que não possuam o DNA puro do partido ou que não rezem integralmente pela cartilha de Lula. Natascha, que tentou construir uma ponte de renovação e centro-esquerda, acabou batendo de frente com a resistência de caciques que preferem uma derrota com “sangue azul” petista a uma vitória com um nome emprestado. Para o PT mato-grossense, o “serviço” de oposição ao governador Mauro Mendes deve ter um rosto que o partido controle totalmente, sem as nuances de independência que a médica representa.
A trama de rejeição expõe a fragilidade da Federação Brasil da Esperança em Mato Grosso, que patina para encontrar um nome competitivo que fure a bolha do agronegócio e do bolsonarismo. Ao descartar Natascha Slhessarenko, o PT fecha as portas para uma candidatura que poderia dialogar com setores mais moderados da sociedade. Agora, a médica fica no limbo político, enquanto o partido se prepara para, provavelmente, lançar nomes tradicionais como a deputada federal Rosa Neide ou o deputado estadual Lúdio Cabral, apostando na polarização nacional para tentar sobreviver em solo pantaneiro. No jogo de xadrez do poder, o PT preferiu sacrificar a rainha para manter o controle absoluto das peças, mesmo que isso signifique começar a partida em desvantagem.
