Diante da onda de intoxicações por metanol no Brasil, que causa danos graves como cegueira e morte, o bicarbonato de sódio tem sido amplamente utilizado como uma das primeiras intervenções de emergência nos hospitais. Mas, afinal, por que essa substância comum é tão vital no tratamento?
O metanol, ao ser metabolizado pelo organismo, transforma-se em ácido fórmico, o verdadeiro responsável pelos sintomas graves da intoxicação e pelos danos fatais. O ácido fórmico causa um desequilíbrio perigoso no sangue, conhecido como acidose metabólica.
O bicarbonato de sódio age para neutralizar essa acidez, funcionando como um agente alcalinizante poderoso. Ao corrigir o pH do sangue, ele ajuda a amortecer os efeitos tóxicos do ácido fórmico no corpo.
Bicarbonato é parte do Protocolo
A intervenção com bicarbonato de sódio é uma medida de suporte essencial, mas não é a cura. Ela faz parte de um protocolo de emergência que visa ganhar tempo enquanto o paciente recebe o antídoto principal, que é o etanol farmacêutico (ou, em alguns casos, o medicamento fomepizol).
O etanol (álcool comum) e o fomepizol funcionam bloqueando a enzima que transforma o metanol em ácido fórmico, impedindo a produção do veneno. No entanto, a correção imediata da acidose metabólica com bicarbonato é fundamental para manter o paciente vivo e funcionando até que o antídoto atue de forma plena.
Autoridades de saúde reforçam que, em caso de suspeita de ingestão de álcool adulterado, a vítima deve ser levada imediatamente a um hospital.
