A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da jornada 6×1 e prevê a redução da carga horária de trabalho de 44 para 40 horas semanais não será votada pelo plenário do Senado Federal antes do primeiro turno das eleições. Apesar do avanço e da aprovação do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a presidência da Casa e as lideranças partidárias optaram por retirar a urgência e adiar a deliberação definitiva para o período pós-eleitoral.

A decisão de congelar a tramitação decorre da falta de segurança quanto ao número mínimo de apoios necessários para a aprovação de uma mudança constitucional. Por se tratar de uma PEC, o texto exige quórum qualificado de três quintos dos parlamentares — equivalente a pelo menos 49 votos favoráveis, em dois turnos de votação. Com a proximidade do pleito e a dispersão dos senadores em campanhas nos estados, a articulação governista não encontrou margem para garantir a vitória imediata em plenário.

O recuo estratégico reflete a forte polarização em torno da matéria e o receio de desgastes eleitorais diretos. Enquanto a equipe do governo federal e partidos de esquerda pressionavam para acelerar a votação e transformar o fim da escala 6×1 em vitrine da corrida eleitoral, bancadas de oposição e entidades ligadas ao setor produtivo atuaram nos bastidores para travar o avanço e adiar a discussão. Parlamentares mais cautelosos preferiram evitar um posicionamento público que pudesse gerar atritos com o empresariado ou com as bases de trabalhadores a poucas semanas da abertura das urnas.

Com a suspensão da pauta durante a semana de esforço concentrado, a PEC da jornada de trabalho aguardará a conclusão das eleições gerais de outubro para retornar à ordem do dia. O adiamento transfere para o término do calendário eleitoral a responsabilidade de decidir sobre a alteração das regras trabalhistas no país, em um ambiente político já reconfigurado pelo resultado das urnas.