O cenário político de Mato Grosso aponta para um fato até então inédito na história eleitoral do estado. Levantamentos e sondagens de intenção de voto consolidados no início da campanha oficial indicam que a disputa pelo Palácio Paiaguás caminha para ser decidida em dois turnos, quebrando a tradição política local em que os chefes do Executivo estadual e seus sucessores diretos sempre liquidaram a fatura ainda na primeira votação.

A projeção acende o sinal de alerta máximo no núcleo governista, que comanda a máquina estadual há quase oito anos. Mesmo no exercício do mandato e respaldado pela estrutura administrativa do Estado, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) enfrenta dificuldades para decolar nas pesquisas, travando uma corrida desesperada contra o senador Wellington Fagundes (PL).

Analistas e especialistas políticos avaliam que a estagnação da chapa governista decorre de um conjunto de fatores estruturais e desgastes acumulados que começam a pesar no julgamento do eleitorado. Entre os pontos de maior vulnerabilidade estão as constantes críticas à qualidade da infraestrutura rodoviária entregue pelo Estado, marcada por episódios de asfalto esfarelando no interior, a repercussão negativa de operações da PF grande porte e o fato de o próprio Pivetta ainda ser desconhecido por expressiva parcela da população mato-grossense após quase duas gestões nos bastidores.

A insatisfação popular também ganha força diante do déficit histórico na construção de casas populares, do avanço desenfreado do crime organizado nos municípios e da escalada alarmante de ataques violentos contra as mulheres e feminicídios. A convergência desses gargalos sociais e administrativos tem freado o crescimento da situação nas sondagens eleitorais, abrindo espaço para a consolidação da oposição e empurrando a definição da sucessão estadual para um confronto direto e imprevisível em segundo turno.