A passagem relâmpago do candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, por Mato Grosso detonou uma nova crise interna e escancarou o clima de desconfiança entre as principais lideranças do PL no estado. O deputado federal José Medeiros virou alvo de duras cobranças por parte de colegas de bancada e candidatos proporcionais após a informação de que o presidenciável cumpriu compromissos em Campo Novo do Parecis sem que a comitiva e os correligionários locais fossem previamente comunicados.
O episódio gerou forte mal-estar nos bastidores, levantando acusações de que Medeiros teria “escondido” a agenda para monopolizar a visibilidade ao lado do filho do ex-presidente. A ausência de articulação partidária atingiu em cheio a chapa majoritária: o senador e candidato ao governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), sequer havia sido avisado e precisou se mobilizar às pressas para alcançar a comitiva e conseguir gravar imagens com o presidenciável, evitando um constrangimento público ainda maior.
Pressionado em grupos de mensagens de parlamentares da legenda, Medeiros tentou se justificar por meio de áudio, alegando que o compromisso foi definido diretamente pela coordenação nacional e por lideranças indígenas locais:
“Eu acabei sabendo dessa agenda, porque o cacique pediu que eu tivesse, sabia ontem à noite. Não era uma agenda política. E eles convidaram algumas pessoas, umas pessoas do ciclo de amizade deles ali, mas o Flávio deixou um abraço a todos. E em breve a gente espera estar todo mundo junto. Vai sim fazer uma agenda política com todo mundo”.
A justificativa de que a visita se restringia a um ato técnico e de gravação de imagens para o horário eleitoral não convenceu os bastidores do partido. Candidatos do PL apontam que a manobra reflete a disputa velada por protagonismo eleitoral e a falta de unidade no palanque estadual, onde o isolamento de figuras-chave evidencia que a lealdade partidária continua sob tensão na reta decisiva da campanha.
