A estratégia do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), de transferir responsabilidades administrativas para esferas superiores voltou ao centro do debate político na capital mato-grossense. Diante da acelerada degradação, do abandono de imóveis comerciais e do aumento da sensação de insegurança no Centro Histórico, o chefe do Executivo municipal preferiu culpar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as compras virtuais pelo declínio do fluxo de consumidores, esquivando-se da cobrança direta sobre a omissão de sua própria gestão.
A postura adotada por Abilio replica a conhecida tática política de terceirização de culpa, mecanismo historicamente criticado no cenário nacional no qual governantes atribuem falhas locais a fatores externos ou à herança de terceiros para blindar a própria imagem. Ao afirmar que o esvaziamento ocorre por conta de plataformas de comércio eletrônico e que nada pode fazer quanto à criminalidade enquanto o governo federal estiver no poder, o prefeito tenta afastar da prefeitura o papel indispensável de ordenamento urbano, fiscalização, fomento econômico e suporte social.
Comerciantes e entidades ligadas ao setor varejista apontam que a crise no quadrilátero central da cidade tem sido agravada por problemas estritamente municipais. Fatores como a carência de iluminação pública eficiente, falhas na limpeza urbana, cobrança desordenada do estacionamento rotativo, falta de incentivos fiscais para novos negócios e a ausência de políticas integradas de assistência para a população em situação de vulnerabilidade são gargalos que cabem diretamente ao Palácio Alencastro resolver.
A tentativa de justificar a inércia da administração municipal com discursos polarizados acendeu críticas de setores políticos e da sociedade civil organizada. Lideranças comunitárias avaliam que, ao transformar o debate sobre a revitalização do Centro em um palanque de ataques ideológicos, a gestão de Abilio Brunini joga para debaixo do tapete a falta de um plano estruturado de recuperação urbana e atrasa a adoção de medidas práticas capazes de salvar o comércio tradicional e recuperar o patrimônio histórico de Cuiabá.
