A retórica de eficiência gerencial e austeridade que o governador Otaviano Pivetta tenta sustentar no palanque foi engolida por uma avalanche de canteiros falidos, asfalto de péssima qualidade e suspeitas gravíssimas de corrupção. O Palácio Paiaguás enfrenta um desarranjo estrutural sem precedentes na condução das principais infraestruturas do estado. A crise, que começou com o vexame histórico dos sucessivos atrasos e aditivos nas obras do BRT em Cuiabá e Várzea Grande, ganhou contornos de calamidade no interior e, agora, atinge o ápice com a decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) de investigar indícios de fraude, sobrepreço e negligência em contratos que somam R$ 208,1 milhões nas obras do autódromo do Parque Novo Mato Grosso.

A engenharia do desperdício promovida pela Secretaria de Infraestrutura (Sinfra-MT) desenha um mapa de incompetência que irrita profundamente o contribuinte. Enquanto na região metropolitana o governo bate cabeça e prorroga contratos do BRT até 2027 para tentar esconder que foi incapaz de cumprir as promessas de entrega, quem trafega pelas rodovias estaduais vive um cenário de abandono. O exemplo mais escandaloso da falta de fiscalização estatal está na MT-170 (antiga BR-174), na região noroeste. O asfalto entregue pela gestão estadual simplesmente esfarela com o peso dos caminhões e derrete nas primeiras chuvas, transformando investimentos milionários em poeira e obrigando o setor produtivo a amargar prejuízos em estradas que parecem feitas de açúcar.

Para piorar o front político de Pivetta, o calcanhar de Aquiles agora se mudou para a capital com o escândalo do Parque Novo Mato Grosso. A denúncia acatada pelo TCE aponta que a empresa estatal MT Par operou um verdadeiro balcão de negócios nos contratos do Autódromo Internacional de Cuiabá. A fiscalização vai auditar não apenas o possível superfaturamento dos R$ 208 milhões em dinheiro público, mas também a negligência criminosa de liberar uma etapa da Stock Car em novembro de 2025 com a pista totalmente inacabada, o que resultou em um grave acidente com feridos no local. É a prova cabal de que a pressa para inflar números de propaganda atropela até os protocolos básicos de segurança.

Com as cúpulas partidárias em polos estratégicos como Rondonópolis observando o desgaste da máquina com lupa, o favoritismo que o grupo governista tentava desenhar para as próximas eleições começa a desidratar. A insistência de Pivetta em blindar secretários ineficientes e criar órgãos de fachada antes mesmo de concluir as obras joga a narrativa de “Mato Grosso dá certo” no mais completo descrédito. Emparedado pelo Tribunal de Contas, cobrado pelo parlamento e desmentido pela lama das rodovias, o Palácio Paiaguás entra na fase mais áspera da gestão, provando que a maquiagem da publicidade oficial já não tem força para tapar os buracos de um governo que fatura alto, mas entrega muito pouco.