A aparente calmaria na base governista do Palácio Paiaguás rachou de vez e deu lugar a um cenário de forte fervura e insatisfação generalizada nos corredores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) soltou os cachorros nos bastidores ao revelar publicamente que o Palácio não cumpriu o cronograma acordado para o pagamento das emendas parlamentares impositivas. A cobrança cirúrgica do tucano expôs o descontentamento coletivo dos deputados, que apontam diretamente o dedo para a condução do vice-governador Otaviano Pivetta (União), acusado nos bastidores de faltar com a palavra e quebrar o rastro de confiança que sustentava os acordos políticos com o interior.
A engenharia do calote técnico irritou severamente os parlamentares, que dependem da liberação desses recursos carimbados para inflar suas bases eleitorais em municípios-chave, como Rondonópolis. Avallone pontuou que o governo estadual havia se comprometido a quitar as parcelas de forma regular, mas o rastro de burocracia e as travas impostas pela gestão criaram uma cortina de fumaça que congelou os repasses da saúde, educação e infraestrutura urbana. Essa quebra de palavra provocou um desarranjo severo na articulação política da casa, fazendo com que até os deputados mais alinhados ao governo passassem a rever o apoio a Pivetta nas próximas costuras de bastidor.
O clima de revolta na ALMT emparedou o comitê central do governo, que agora corre contra o tempo para tentar abafar a crise antes que ela contamine as votações de interesse do Executivo. Interlocutores apontam que a insatisfação é unânime e que o racha provocado pela postura centralizadora de Pivetta deixou os deputados expostos perante os prefeitos e vereadores do interior, que cobram as obras prometidas. Enquanto os marqueteiros do Paiaguás tentam minimizar o estrago e criar uma narrativa técnica de ajuste fiscal, o rastro dessa traição política prova que, no xadrez de Mato Grosso, promessa não cumprida vira arma de guerra e o troco da Assembleia costuma vir pesado.
