O clima de aparente calmaria na base governista de Mato Grosso ruiu de forma definitiva, dando lugar a um cenário de desespero e ataques públicos que expõem a fragilidade das costuras eleitorais do União Brasil. Claramente acuado pelo cerco político e pelo avanço das investigações que envolvem o seu nome no escândalo nacional do Banco Master, o ex-governador e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes, decidiu abandonar a postura diplomática e partir para uma ofensiva agressiva contra os seus próprios correligionários. O alvo da vez foi o deputado estadual Júlio Campos, uma das figuras mais tradicionais da política mato-grossense.

A reação intempestiva de Mendes ocorreu após Júlio Campos cobrar publicamente uma definição clara e democrática sobre os rumos do partido para a disputa das vagas majoritárias em 2026. Visivelmente incomodado com a perda de controle sobre a narrativa interna da sigla, o ex-governador disparou que o deputado “fala bobagem” e mandou o veterano “ir ler o estatuto” do União Brasil. Para observadores da cena política em Cuiabá, o tom autoritário e a irritação desproporcional de Mauro Mendes são sintomas claros de um candidato que se sente encurralado pela falta de apoio unânime e pelo temor de ver suas pretensões eleitorais implodirem antes mesmo das convenções.

Nos bastidores, o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa já diagnosticam o nervosismo de Mendes como o reflexo direto do “efeito Daniel Vorcaro”. O fantasma do jantar luxuoso em Nova York, bancado pelo pivô do maior esquema de corrupção do país, tirou o sono do ex-governador e deu munição tanto para a oposição quanto para a chamada “ala rebelde” do seu próprio partido, que hoje questiona a viabilidade jurídica de sua candidatura ao Congresso Nacional. Ao se ver sem justificativas plausíveis para o eleitorado, Mendes tenta desviar o foco da crise atacando a honra e a experiência daqueles que ousam questionar a sua liderança de ferro.

A tática de partir para o ataque cego, contudo, ameaça isolar ainda mais o pré-candidato na corrida senatorial. Ao desrespeitar publicamente uma liderança histórica como Júlio Campos, Mauro Mendes racha a bancada estadual do União Brasil e empurra potenciais aliados para os braços de adversários como Wellington Fagundes e Otaviano Pivetta. O episódio deixa claro que o ex-governador já não dita as regras com a soberba de outros tempos: sem respostas para o escândalo financeiro que o assombra e sem paciência para o jogo democrático, resta a Mendes o papel de um político acuado que usa a arrogância como último escudo de sobrevivência.