O eleitor de Mato Grosso está sendo conduzido por um labirinto de porcentagens que, se não for bem analisado, pode transformar a urna de 2026 em uma máquina de lavar fichas sujas. O uso estratégico de levantamentos, como o do Instituto Percent, tem o poder perigoso de criar o chamado “efeito manada”, aquela sensação psicológica de que o destino já está traçado e que resta ao cidadão apenas aderir ao nome que aparece no topo da lista. Essa ilusão de favoritismo é a ferramenta preferida de quem precisa esconder esqueletos no armário, pois o eleitor, muitas vezes cansado ou desinformado, acaba optando pelo candidato que “todo mundo vai votar”, ignorando que o brilho estatístico pode ser apenas o reflexo do suor de quem corre para fugir da polícia.
O caso do deputado estadual Elizeu Nascimento (PL) é o retrato fiel dessa engrenagem de desinformação. Enquanto o Instituto Percent carimba seu nome como um dos favoritos à Assembleia Legislativa, a realidade fática dos tribunais conta uma história bem diferente e muito mais obscura. O deputado está sob a mira implacável do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), que investiga um esquema escandaloso de saques em espécie que ultrapassa os R$ 7 milhões, supostamente drenados de emendas parlamentares. Quando o eleitor vê Elizeu no topo de uma pesquisa, ele não vê as malas de dinheiro e as movimentações suspeitas que envolvem também seu irmão, o vereador Cezinha Nascimento; ele vê apenas um número inflado que tenta validar um mandato que, na verdade, deveria estar dando explicações detalhadas à Justiça.
O grande risco para a democracia mato-grossense é que essa “liderança” de papel acabe por silenciar o debate sobre a conduta ética de quem busca a reeleição. Com mais de 50% dos eleitores ainda mergulhados na indecisão, as pesquisas funcionam como um farol torto, guiando o povo para o despenhadeiro de eleger investigados por corrupção e desvio de dinheiro público sob o pretexto de que “ele é o favorito”. No fim das contas, escolher o candidato baseado apenas no efeito manada das pesquisas é o mesmo que assinar um cheque em branco para o crime organizado dentro do governo. O cidadão precisa entender que o verdadeiro vencedor não é quem lidera o Instituto Percent, mas aquele que consegue passar pelo crivo da lei sem precisar de uma liminar para fazer campanha.
