Rondonópolis amanheceu em absoluto luto nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026. Faleceu, aos 78 anos de idade, o empresário, educador e ex-vereador Mohamed Zaher (Mohamed Khalil Zaher). Ele estava internado em uma unidade de saúde em São Paulo, onde enfrentava complicações de saúde. O anúncio de sua partida provocou uma onda imediata de consternação em todo o estado de Mato Grosso, mobilizando os poderes Executivo e Legislativo, além de instituições de ensino e entidades de classe, que unificaram suas vozes para reverenciar a memória daquele que foi um dos personagens mais vibrantes, combativos e influentes da história contemporânea rondonopolitana.

A trajetória de Mohamed Zaher confunde-se com o próprio processo de emancipação socioeconômica e educacional da região Sul do estado. Nascido sob uma rica herança cultural, Mohamed adotou Rondonópolis como seu verdadeiro lar, transformando o município no cenário onde ergueria um legado multifacetado. Como homem de negócios, destacou-se pela visão arrojada e pelo pioneirismo, mas foi na fusão entre o empreendedorismo e o amor pela educação que ele deixou sua marca mais profunda: Mohamed foi o grande idealizador e presidente da mantenedora do antigo Cesur (Centro de Ensino Superior de Rondonópolis), instituição que fincou as bases do ensino superior privado na cidade e que, por décadas, graduou milhares de profissionais que hoje lideram o mercado mato-grossense. Seu compromisso com o saber foi tão marcante que a própria Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) emitiu uma nota oficial de profundo pesar, reconhecendo sua contribuição inestimável para a consolidação da identidade universitária do município.

Na arena política, Mohamed Zaher foi um gigante. Conquistou o respeito das urnas ao ser eleito para quatro mandatos consecutivos na Câmara Municipal de Rondonópolis, onde não apenas exerceu o papel de parlamentar, mas alcançou o posto de presidente do Poder Legislativo. Na tribuna, Mohamed era sinônimo de eloquência, coragem e preparo técnico. Seus discursos eram verdadeiros acontecimentos, pautados por grandes debates estruturais que pensavam o crescimento da cidade a longo prazo. Ele detinha um respaldo popular raramente visto, fruto de sua política humanística e de sua capacidade única de transitar entre os grandes palácios governamentais e a periferia, sempre de portas abertas para atender as demandas sociais da comunidade.
Embora tenha alimentado o sonho legítimo e o projeto de governar o município de Rondonópolis como chefe do Executivo — uma meta que defendia com paixão e propostas inovadoras —, o destino reservou a Mohamed o papel de um grande conselheiro e construtor de bastidores, cuja chancela era disputada por prefeitos e governadores de diferentes gerações. Mesmo sem assumir a cadeira de prefeito, sua influência sobre as decisões administrativas da cidade era notória, sendo considerado por analistas e pares como um prefeito sem caneta, tal era o peso de suas opiniões e articulações.
A Câmara Municipal de Rondonópolis emitiu um comunicado oficial lamentando a perda de seu ex-presidente e decretando luto oficial em homenagem à sua memória. Parlamentares e lideranças partidárias de diferentes espectros políticos manifestaram-se ao longo do dia, lembrando que, para além das divergências ideológicas naturais da democracia, Mohamed Zaher sempre foi um cavalheiro do debate público, um exemplo de civilidade, ética e amor ao município. Com a sua partida, encerra-se um capítulo de ouro da história política regional, mas consolida-se um legado que continuará vivo nas salas de aula, nas leis municipais e na memória de cada cidadão rondonopolitano.
