Para Otaviano Pivetta, a demissão de profissionais que dedicam a vida a salvar outras parece ser apenas um detalhe burocrático e não uma tragédia social. O governador em exercício, em mais um lance de sua diplomacia particular, descartou a extinção do Samu, mas não perdeu a oportunidade de tripudiar sobre quem ficou sem crachá. Com o desdém de quem não parece preocupado com o boleto no fim do mês, Pivetta minimizou o desligamento de socorristas e enfermeiros, afirmando categoricamente que “está cheio de emprego por aí”, como se a transição da linha de frente da saúde para qualquer outra vaga fosse um passeio no parque.
A declaração, carregada de uma frieza que beira o insensível, caiu como uma bomba entre as categorias que lutam pela manutenção do atendimento de urgência e emergência em Mato Grosso. Enquanto o sistema de saúde tenta se equilibrar em meio a cortes e incertezas administrativas, o “conselho” do governador soa como um “boa sorte” irônico para os heróis da saúde que agora precisam atualizar o currículo por conta de canetadas da gestão. A postura de Pivetta reforça o abismo entre o gabinete refrigerado do Paiaguás e a realidade de quem depende do barulho da sirene para sobreviver.
Ao tentar “tranquilizar” a opinião pública sobre a continuidade do serviço, o governador acabou expondo uma face da administração que prioriza a contabilidade em detrimento da rede de proteção social. Para o cidadão rondonopolitano e mato-grossense que espera o socorro chegar, o recado é direto: o serviço segue (nas palavras dele), mas a empatia pelos profissionais e o respeito pela estabilidade da saúde pública parecem ter sido demitidos bem antes do primeiro decreto de emergência.
