O início da gestão de Otaviano Pivetta à frente do Governo de Mato Grosso parece ter sido atingido por uma onda de “amadorismo” administrativo que já começa a transbordar para os serviços essenciais. Depois de incendiar a hierarquia da Polícia Militar ao bancar uma sargento em cargo estratégico na Casa Militar, o Palácio Paiaguás agora abre um novo flanco de crise: o Detran-MT. Médicos credenciados ameaçam abandonar em massa a realização de exames para a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), reagindo a um corte drástico nas taxas que inviabiliza a prestação do serviço.
O descontentamento da categoria médica é o mais novo ingrediente de um caldeirão que ferve sob a batuta de Pivetta. Com a redução dos valores repassados, os profissionais alegam que os custos operacionais superam o retorno financeiro, o que deve gerar uma paralisação imediata dos exames clínicos e psicotécnicos. Para o cidadão mato-grossense, o resultado dessa conta mal feita é o caos: milhares de pessoas que precisam tirar a primeira habilitação ou renovar o documento para trabalhar podem ficar presas em uma fila de espera sem previsão de fim.
Enquanto a cúpula do governo tenta minimizar os problemas, a oposição e setores da sociedade civil já apontam que a falta de diálogo e o autoritarismo nas decisões têm sido a marca registrada deste começo de mandato. A crise no Detran não é um fato isolado, mas sim um reflexo da instabilidade que começou com as nomeações controversas e agora atinge diretamente o bolso e o direito de ir e vir da população. Se o governador não encontrar o “freio” para essa sequência de erros, o governo Pivetta corre o risco de capotar antes mesmo de completar os primeiros meses de estrada.
