Fonte: Mayke Toscano/Secom-MT

O clima no União Brasil está mais pesado do que o de uma delegacia de plantão em noite de lua cheia, e o Republicanos não perdeu tempo em tentar tirar proveito do caos. Com o governador Mauro Mendes e o senador Jayme Campos trocando farpas públicas pelo controle da legenda, o ex-deputado Adilton Sachetti decidiu estender o tapete vermelho para o chefe do Executivo. A estratégia é simples: se a convivência com os Campos tornou-se insuportável, o Republicanos apresenta-se como o refúgio ideal para que Mendes e seu vice, Otaviano Pivetta, continuem a jogar no mesmo time sem precisar pedir licença aos caciques rivais.

A oferta de Sachetti surge num momento em que Mauro Mendes já avisou que não pretende entregar os pontos e que vai para o “tapa” nas convenções partidárias. O governador elevou o tom ao reafirmar que seu apoio a Pivetta é inegociável, baseando-se em resultados técnicos e na competência administrativa do vice, o que soou como um “chega para lá” nas pretensões de Jayme Campos. Para o Republicanos, abrigar Mendes seria o golpe de mestre para consolidar a hegemonia do grupo que comanda o Estado há sete anos, oferecendo a autonomia que o União Brasil, hoje transformado num campo de batalha, parece não conseguir mais garantir.

Apesar do convite tentador e do “clima hostil” que já se tornou a marca registrada das reuniões do União, Mendes parece disposto a testar a sua força política dentro de casa antes de arrumar as malas. Ele prometeu disputar voto a voto a preferência da sigla, desafiando a influência histórica do clã de Várzea Grande. Enquanto isso, o Republicanos observa a briga de camarote, pronto para abrir a porta caso o governador decida que é melhor mudar de casa do que continuar a dormir com o inimigo. O desfecho dessa queda de braço promete redefinir as alianças de Mato Grosso, provando que, na política, o amigo de hoje pode ser o despejado de amanhã.