A Polícia Judiciária Civil (PJC) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a Operação Speakeasy, focada em desequilibrar a contabilidade do crime organizado em Mato Grosso. A ofensiva mira uma rede de lavagem de dinheiro que teria movimentado aproximadamente R$ 200 milhões para a facção Comando Vermelho (CV) nos últimos anos. O esquema utilizava uma mistura de bares populares, joalherias de luxo e empresas de fachada para misturar o dinheiro ilícito do tráfico de drogas com receitas aparentemente legítimas, permitindo que as lideranças da organização circulassem em veículos de alto padrão sem levantar suspeitas imediatas do fisco.

As investigações apontam que o grupo contava com “laranjas” e operadores financeiros profissionais, responsáveis por criar uma engenharia de depósitos e transferências que fragmentava os valores para evitar os alertas dos órgãos de controle. Em Cuiabá e Várzea Grande, os agentes cumpriram 12 mandados de prisão e dezenas de buscas e apreensões, resultando no sequestro de bens e no bloqueio de contas bancárias. Para a Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (DRE), as joalherias eram peças-chave, pois o ouro e as pedras preciosas serviam como uma reserva de valor compacta e de fácil transporte, ideal para a logística da facção.

Além das prisões, a operação expõe a face empresarial do crime organizado, que deixa de atuar apenas na ponta da venda de entorpecentes para infiltrar-se no comércio formal do estado. Os alvos detidos hoje são considerados os “cérebros” da movimentação financeira, responsáveis por garantir que o fluxo de caixa do CV permanecesse ativo e blindado contra as fiscalizações de rotina. Com o bloqueio dos R$ 200 milhões, a polícia impõe um apagão financeiro na estrutura, restando agora a perícia documental para identificar se o “brilho” das joias apreendidas escondia também a participação de outros setores da economia mato-grossense.