A modernidade chegou para todos, inclusive para a criminalidade de baixo nível que ainda não entendeu como funciona a rastreabilidade bancária. No último domingo, 15 de março, uma idosa viveu momentos de terror em sua própria cama, no bairro Pioneiro, ao ser rendida por um indivíduo que decidiu estrear sua ficha criminal da maneira mais covarde possível. Trajando uma camisa branca de time e boné, o suspeito identificado como L. G. S. S. arrombou o portão da residência e, sob a velha ameaça de estar armado, exigiu joias e dinheiro de uma senhora que nada tinha a oferecer além de sua tranquilidade interrompida.

O que o “aspirante a bandido” não contava era com a própria incompetência logística. Ao descobrir que a vítima não possuía joias e ostentava apenas duzentos reais em espécie, ele decidiu inovar e forçou a idosa a realizar uma transferência via Pix no valor de cento e noventa reais. O destino do dinheiro foi a conta de Vinícius dos Santos Souza, um velho conhecido das guarnições policiais que parece colecionar passagens criminais como se fossem figurinhas de álbum. Com o comprovante da transação em mãos — que serviu praticamente como um cartão de visitas para a polícia — e as imagens de câmeras de vizinhos, o Setor de Inteligência não precisou de muito esforço para traçar a rota da dupla.

Enquanto L. G. S. S. ainda gozava da sensação de impunidade após ameaçar retornar caso a polícia fosse acionada, as guarnições já fechavam o cerco. Em diligências continuadas, os dois foram localizados juntos, ostentando a mesma “farda” do crime usada no roubo. O reconhecimento foi imediato: a fotografia do autor não deixou dúvidas para a vítima, que viu o rosto de quem a rendeu agora estampado no sistema da segurança pública. Vinícius, o mentor ou apenas o caixa da operação, adicionou mais uma linha ao seu extenso currículo que já conta com furtos, tráfico, porte de arma e até corrupção de menores desde 2022.

A jornada da dupla terminou na 1ª Delegacia de Polícia, onde entraram devidamente algemados e sem lesões aparentes, prontos para explicar ao delegado como planejaram um crime deixando um rastro digital tão óbvio. O novato, que antes tinha a ficha limpa, agora divide o banco dos réus com um veterano que já descumpriu até medidas protetivas e ordens judiciais. No final das contas, o “investimento” de cento e noventa reais via Pix rendeu para os dois uma estadia gratuita no sistema prisional, provando que a tecnologia é, de fato, a maior inimiga dos criminosos que faltaram às aulas de lógica básica.