A cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, amanheceu em cenário de guerra nesta terça-feira (24). Após temporais implacáveis que atingiram a região, a prefeitura decretou estado de calamidade pública para tentar conter uma tragédia que já contabiliza, pelo menos, 14 mortes confirmadas. O volume de água foi tão absurdo que fevereiro de 2026 já é, oficialmente, o mês mais chuvoso da história do município, acumulando mais de 460 milímetros — uma marca que soterrou qualquer previsão meteorológica e deixou a infraestrutura urbana em colapso.
O cenário é desolador: além das vítimas fatais, as equipes de resgate correm contra o tempo para localizar entre 17 e 45 desaparecidos em meio aos escombros e lama. Mais de 440 pessoas perderam suas casas e estão desalojadas. A Defesa Civil registrou pelo menos 26 deslizamentos de terra, atingindo bairros como o Centro e Santa Rita, onde o asfalto deu lugar a rios de lama e entulho. É o tipo de desastre que expõe, da forma mais cruel, a fragilidade das encostas diante da força da natureza.
O alerta do Inmet continua ligado e o sinal é de “perigo” até o final da semana. Com a previsão de mais chuva e ventos fortes até sexta-feira (27), a recomendação para a população é de vigilância total e evacuação imediata de áreas condenadas. Enquanto as equipes de busca mergulham no barro em busca de sobreviventes, Juiz de Fora tenta entender como se reconstruir após o céu, literalmente, ter caído sobre a cabeça dos mineiros.
