O imbróglio jurídico em torno do Reajuste Geral Anual (RGA) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) revela o lado mais espinhoso da política de conveniência. Ao tentarem empurrar emendas que aumentam o gasto público sem a devida contrapartida orçamentária ou estudo técnico, os parlamentares caminham sobre o fio da navalha. O alerta disparado pelo líder do governo, deputado Dilmar Dal Bosco, é um banho de realidade: qualquer vício de iniciativa em projetos que geram despesa é um convite aberto ao veto ou à judicialização imediata. Politicamente, a manobra de alguns deputados para elevar o índice acima do que foi acordado serve para afagar as bases sindicais, mas o custo pode ser a total paralisia do benefício. Se o texto for aprovado com esses “penduricalhos” inconstitucionais, o Executivo terá a justificativa perfeita para segurar o reajuste sob o argumento de segurança jurídica. O resultado desse braço de ferro é um cenário de “tudo ou nada” onde o servidor público, o elo mais frágil da corrente, corre o risco real de ver o aumento prometido evaporar em meio a prazos processuais e decisões de tribunal. A responsabilidade agora recai sobre o plenário: ceder ao pragmatismo para garantir o dinheiro na conta ou manter o confronto e amargar um atraso por tempo indeterminado
Jogo político com o RGA coloca em risco o bolso do servidor e flerta com a inconstitucionalidade
