O “serviço” histórico que os mato-grossenses esperaram por quatro décadas finalmente ganha vida. Nesta segunda-feira (19), o Hospital Central do Estado (HCE), localizado em Cuiabá, inicia sua operação oficial, enterrando de vez um passado de 34 anos de obras paralisadas e descaso. A estrutura, que já foi um símbolo do abandono público desde 1984, agora se apresenta como uma potência tecnológica sob a gestão do prestigiado Hospital Israelita Albert Einstein. O governador Mauro Mendes e o secretário de Saúde Gilberto Figueiredo entregam à população uma unidade que não apenas dobrou de tamanho, mas que chega com a promessa de ser o melhor hospital público do país, focando exclusivamente na alta complexidade.

A trama dessa abertura começa de forma estratégica e controlada. Neste primeiro dia de funcionamento, cerca de 30 pacientes — sendo 10 crianças e 20 adultos — já estão agendados pelo sistema de regulação para consultas ambulatoriais e exames. Segundo a diretora da unidade, Alessandra Bokor, o foco inicial está nas áreas de urologia, cirurgia pediátrica e ortopedia pediátrica e oncologia, servindo como o ponto de partida para um cronograma que deve atingir a maturidade total em abril. O recado para quem busca atendimento é direto: o HCE não funciona como “portas abertas”. Todo o fluxo de pacientes será filtrado pelo Sisreg, garantindo que o investimento de R$ 541 milhões em obras e equipamentos de ponta, como o sistema robótico Da Vinci XI, atenda quem realmente precisa de procedimentos complexos.

Neste domingo (18), o clima nos bastidores às 10h08 era de ajustes finais para garantir que os 287 leitos e as 10 salas cirúrgicas operem com a excelência exigida pelo contrato de R$ 34,9 milhões mensais. Com equipamentos que incluem ressonância magnética e oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), o hospital se posiciona como um divisor de águas na saúde pública de Mato Grosso. O esforço da atual gestão para destravar esse antigo “monumento ao desperdício” agora se transforma em consultas e cirurgias reais, prometendo esvaziar filas históricas e oferecer dignidade aos pacientes que, por anos, viram apenas mato e escuridão nos corredores que hoje brilham com tecnologia de última geração.