Ex-presidente deve usar o microfone para metralhar o STF, cobrar anistia para os presos de janeiro e dar o tom da direita para as urnas de 2026; audiência recorde é esperada enquanto a oposição prepara o contra-ataque
Brasília está em estado de alerta e as redes sociais já preparam os servidores para o que promete ser o maior “barulho” digital deste fim de ano. O ex-presidente Jair Bolsonaro marcou um encontro com a audiência para esta terça-feira (23), em uma entrevista exclusiva pelo YouTube ao portal Metrópoles. Para quem achava que o “Capitão” passaria o Natal em silêncio, o anúncio caiu como uma bomba nos bastidores do poder. A expectativa é que Bolsonaro não apenas comente o cenário atual, mas que use a vitrine para ditar o ritmo da oposição para 2026, transformando a conversa em um verdadeiro comício digital em pleno feriado prolongado.
O cardápio da entrevista deve ser indigesto para os seus adversários. Fontes ligadas ao ex-presidente indicam que ele não vai poupar munição contra as investigações que o cercam, rotulando-as novamente como “perseguição política”. O tema da anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro deve ser o prato principal, servindo de combustível para manter a militância mobilizada. Além disso, Bolsonaro deve explorar as fragilidades do governo Lula, focando na segurança pública e na economia, áreas onde ele acredita ter vantagem no discurso popular. A ironia, claro, não deve faltar: o ex-presidente costuma usar essas ocasiões para “trollar” ministros do STF e desdenhar das pesquisas que mostram sua inelegibilidade, reforçando a narrativa de que ele continua sendo o único nome capaz de peitar o sistema.
As repercussões já começaram antes mesmo do primeiro “boa tarde”. Enquanto a base aliada de Bolsonaro prepara os cortes para o TikTok e Instagram, o governo federal e o Judiciário observam com uma lupa. Qualquer frase fora da curva pode gerar novas representações ou alimentar os inquéritos que correm no Supremo. No mercado político, a entrevista é vista como o termômetro final de 2025: se Bolsonaro conseguir manter o tom de moderador das massas, ele consolida seu papel de “grande eleitor” para o ano que vem; se subir demais o tom, pode dar o pretexto que seus opositores precisam para novas sanções. Uma coisa é certa: nesta terça, o YouTube será o palco de um espetáculo onde a diplomacia passará longe e a polarização será, mais uma vez, a estrela da festa.
