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Nova fase da Operação Sem Desconto mira desvio de R$ 6,3 bilhões em pensões e aposentadorias; esquema envolvia descontos não autorizados por associações.
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram na manhã desta quinta-feira (13) uma nova etapa da Operação Sem Desconto, visando desmantelar um esquema nacional de fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS. O principal alvo da ofensiva é o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, Alessandro Stefanutto, que foi preso preventivamente, sendo um dos dez alvos de mandados de prisão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O escândalo, que teria movimentado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, revela um sistema de descontos associativos irregulares e não autorizados diretamente nos benefícios de milhões de segurados.
A operação não se limitou ao ex-presidente. A PF também mirou o ex-ministro do Trabalho e Previdência (durante a gestão Bolsonaro) Ahmed Mohamad Oliveira – que anteriormente se chamava José Carlos Oliveira – e impôs a ele o uso de tornozeleira eletrônica. Além disso, 63 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares foram cumpridos em 14 estados e no Distrito Federal, atingindo até mesmo parlamentares e dirigentes de associações investigadas, que teriam se beneficiado do esquema. Os investigados deverão responder por crimes como organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, e inserção de dados falsos em sistemas oficiais.
Stefanutto, que havia assumido o INSS em julho de 2023 no atual governo e foi exonerado em abril de 2025 após o escândalo vir à tona, é acusado de ter permitido os desvios sob sua gestão. Segundo a PF, o ex-presidente teria autorizado descontos em lote, ignorando a exigência de autorização expressa dos aposentados, e contrariando pareceres jurídicos que recomendavam a não liberação. O esquema operava sob a fachada de mensalidades de associações e sindicatos que supostamente ofereciam benefícios e descontos, mas que, na prática, não possuíam estrutura e realizavam cobranças indevidas dos segurados, lesando diretamente a população mais vulnerável do país.
Quem é Alessandro Stefanutto
Alessandro Stefanutto é um advogado com extensa carreira no setor público federal. Sua trajetória inclui ser técnico da Receita Federal e Procurador Federal da AGU, e ele já havia atuado como Procurador-Geral do INSS entre 2011 e 2017. Filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) desde janeiro de 2025 (tendo sido filiado ao PSB anteriormente), Stefanutto assumiu a Presidência do Instituto em julho de 2023, nomeado pelo Governo Lula. Foi demitido do cargo em abril de 2025 após o escândalo vir à tona.
