O Brasil está lidando com um paradoxo na sua matriz energética: para evitar um novo apagão, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem sido forçado a cortar a geração de energia limpa — eólica e solar — em excesso e, simultaneamente, acionar termelétricas mais caras e poluentes. Esse fenômeno é conhecido no setor como curtailment.
O dilema é crucial, pois expõe uma falha na infraestrutura de transmissão do país:
- Geração Concentrada: A produção de energia eólica e solar está concentrada em regiões específicas (Nordeste e Sul), onde a capacidade de geração supera a capacidade das linhas de transmissão de enviar essa energia para os grandes centros de consumo, como o Sudeste.
- Risco de Sobrecarga: Quando há excesso de geração limpa em um ponto da rede, o sistema pode ficar sobrecarregado, levando a uma instabilidade que pode culminar em um apagão nacional. Para evitar o colapso, o ONS é obrigado a pedir o desligamento temporário das fontes limpas.
- Custo e Meio Ambiente: Para compensar a energia limpa desperdiçada e garantir o fornecimento, o país precisa acionar as termoelétricas a gás e a óleo diesel, que têm um custo de operação mais alto e emitem mais gases poluentes, indo de encontro às metas ambientais, principalmente antes da COP30.
O curtailment é visto como um desafio estrutural que exige investimentos urgentes em linhas de transmissão mais robustas e eficientes. A situação mostra que o Brasil precisa modernizar sua infraestrutura para que o grande potencial de energia renovável possa ser aproveitado integralmente, sem penalizar o consumidor ou o meio ambiente.
