A 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que ocorreu paralelamente ao Fórum Bilateral Brasil-Malásia, não trouxe boas notícias para a comitiva brasileira, composta por mais de 100 empresários, incluindo os donos da JBS, os irmãos Batista.

Dois momentos se destacaram, ofuscando a possibilidade de um acordo com o Governo Americano para reverter o “tarifaço” imposto por Donald Trump: a polêmica declaração de Lula sobre o tráfico e a entrevista de Trump, que deu mais atenção a Bolsonaro do que ao próprio presidente brasileiro.

O discurso de “defesa” de Lula aos traficantes de drogas, feito em uma entrevista, foi marcado por uma clara distorção da realidade. Lula, em sua fala, declarou que os traficantes de drogas são vítimas dos usuários e vice-versa, gerando confusão.

Segundo assessores do Planalto, a intenção do chefe de estado brasileiro seria demonstrar que os ataques americanos ao tráfico de drogas na Venezuela deveriam ser combatidos com a erradicação dos usuários americanos e em todo o mundo. A fala, no entanto, não foi bem recebida no Brasil e reabre uma ferida que sempre ronda o governo petista e a ligação com o narcotráfico no país.

Não bastasse a declaração infeliz em defesa dos traficantes, o presidente brasileiro não conseguiu disfarçar sua insatisfação durante a coletiva de imprensa ao lado de Donald Trump. Os repórteres, ignorando Lula, insistiram em fazer perguntas a Trump sobre a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Tentando disfarçar sua irritação, Lula esboçou um sorriso amarelo, deixando no ar uma expressão facial de indignação, como se dissesse: “Eu estou aqui, esqueçam Bolsonaro”. A declaração de Trump, que afirmou que o que “aconteceu com Bolsonaro é muito triste”, reforçou o constrangimento e foi interpretada como um recado direto à direita brasileira.

Agora, resta saber se, depois dos dois episódios, o presidente Lula ainda conseguirá trazer alguma solução com relação ao tarifaço e à revogação da Lei Magnitsky imposta aos ministros do Supremo Tribunal Federal brasileiro.