A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), deflagrou nesta terça-feira (24) a terceira fase da Operação Safra, com foco no combate a uma organização criminosa especializada no furto e desvio de cargas de soja e milho em áreas estratégicas do estado.
As investigações se concentraram nas fazendas Guapirama, Sulina, Colorado, Kesoja e Fazenda Feliz, importantes polos de produção agrícola em Mato Grosso.
Nesses locais, o grupo criminoso aliciava funcionários de confiança, como balanceiros, gerentes e operadores de carga, que permitiam a entrada clandestina de caminhões, sem qualquer documentação fiscal ou registro oficial.
Com acesso liberado, os veículos carregavam os grãos diretamente dos silos ou estoques das fazendas. Em seguida, seguiam para uma empresa em Cuiabá, já investigada na fase anterior da operação, onde os produtos eram “esquentados” com notas fiscais falsas, dando aparência legal às cargas furtadas.
Logística sofisticada e prejuízo milionário
A quadrilha contava com núcleos especializados em falsificação de documentos fiscais e estrutura de lavagem de dinheiro.
O delegado responsável pela operação, Gustavo Belão, estima que o prejuízo apurado até o momento seja de aproximadamente R$ 4,5 milhões, apenas com base nos registros já localizados.
“O dano real pode ser incalculável, pois muitas cargas subtraídas nunca foram oficialmente registradas, o que impede a apuração precisa do total de grãos desviados”, afirmou.
Alvos e medidas judiciais
Nesta fase, o foco da investigação recaiu sobre o operador financeiro do esquema, responsável por movimentar os recursos e maquiar a origem do dinheiro. Foram expedidas 63 ordens judiciais, incluindo:
- 19 mandados de busca e apreensão
- 22 mandados de bloqueio e sequestro de contas bancárias
- 5 mandados de indisponibilidade de imóveis
- 17 bloqueios de veículos
As ordens foram cumpridas nas cidades de Cuiabá, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sapezal e Tangará da Serra, com o apoio das delegacias locais.
Os investigados são suspeitos de organização criminosa, furto qualificado, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Histórico da operação
A primeira fase da Operação Safra foi realizada em julho de 2021, desmantelando um grupo baseado em São Paulo que atuava no furto de grãos em diversos estados. Em setembro de 2022, foi deflagrada a segunda fase, que aprofundou o rastreio de cargas desviadas e identificou novas ramificações da quadrilha.
Ao todo, as investigações das três fases já revelaram o furto de 152 cargas, totalizando mais de 6 milhões de quilos de grãos desviados, com prejuízo superior a R$ 20 milhões para produtores, transportadoras e seguradoras do setor do agronegócio mato-grossense.
